Ponto do Caboclo Roxo

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Another Forestry Videopoem! - Outro Videopoema Florestal


TO WHOM IT MAY CONCERN

A Quem Interessar Possa...


Resultado da residência artística de Arte Humano Florestal que experienciei na Nova Galeria Sede, em Campinas (SP), durante o ano de 2016. A Galeria deixou de existir no começo de 2017. Mas a aventura temática que iniciei com o Teatro Florestal do Rio de Janeiro em 1988, faz 30 anos ano que vem! Na realização deste poema audiovisual, foi fundamental o apoio e o talento dos fotógrafos MILTON MONTENEGRO (imagem da capa), DIOGO ZACARIAS e MÁRCIO REZENDE MENDONÇA, a participação de JULIANO PRADO na trilha sonora e a produção de TARCÍSIO VECCHINI. 

An outcome of the artistic residency in Human Forestry Arts held at Nova Galeria Sede, in Campinas (SP), in 2016. The Galery closed its doors by the begining of 2017, but the thematic adventure I got started with the Forestry Theater of Rio de Janeiro in 1988 has endured 3 decades so far. In the making of this audiovisual poem, talent and support from photographers MILTON MONTENEGRO (cover image), DIOGO ZACARIAS and MÁRCIO REZENDE MENDONÇA were essencial, like the touch of JULIANO PRADO in the sound track and the production by TARCÍSIO VECCHINI.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

FRITJOF CAPRA - Um Video Poema Florestal

Dandara enquadra Capra no visor da câmera DV.

Aconteceu no Leme, fronteira de Copacabana, tarde chuvosa  de março no Rio.  Apenas três veículos de comunicação participaram da entrevista coletiva - a TV BRASIL (cuja simpática equipe contribuiu para o êxito dessa missão), o ESTADÃO e este por quê vos falo - o modesto, porém aguerrido e altaneiro, blog POEMAS FLORESTAIS. No momento em que nosso Congresso formaliza a erosão do Código Florestal Brasileiro, um pouco de razão e sensibilidade não nos haverão de fazer mal algum. Com vocês o video-poema-florestal CAPRA 3'. Antes de clicar no vídeo, pause a música ambiente do blog. Breve interatividade para uma melhor experiência audiovisual... Que os versos falem por si. 

Saudações Verdes! 
DANDDARA




sábado, 27 de agosto de 2011

A SAGA AMOROSA DA COBRA NORATO

Cobra Grande, do blog raulbopp.blogspot.com


— E agora, compadre, 
 eu vou de volta pro Sem-Fim.

Vou lá para as terras altas, 
 onde a serra se amontoa, 
 onde correm os rios de águas claras 
 em matos de molungu.

Quero levar minha noiva. 
Quero estarzinho com ela 
numa casa de morar, 
com porta azul piquininha 
pintada a lápis de cor.

Quero sentir a quentura 
do seu corpo de vaivém. 
Querzinho de ficar junto 
quando a gente quer bem, bem;

Ficar à sombra do mato 
ouvir a jurucutu, 
águas que passam cantando 
pra gente se espreguiçar,

E quando estivermos à espera 
que a noite volte outra vez 
eu hei de contar histórias 
(histórias de não-dizer-nada) 
escrever nomes na areia
pro vento brincar de apagar.
       
              COBRA NORATO Parte XXXII

       Se COBRA NORATO é "o mais brasileiro de todos os livros de poemas brasileiros, escritos em qualquer tempo", tal como suspeitava Carlos Drummond de Andrade, Raul Bopp terá sido mesmo "o gênio da raça", conforme celebra o time do pratoantropofagico.blogspot.com. Esse poema, que sozinho bastaria para assegurar ao poeta morada eterna no coração de Antônio Houassis, projeta nossa antropofagia pré-tropicalista num espaço-tempo mágico, pois "o Sem-fim tem um nome (...): seu nome é a Amazônia, por suas águas, suas florestas, suas terras caídas, sua fecundidade, sua efervescência de vida, sua pululação de morte" (Houassis, 1973) e a saga amorosa da Cobra Norato remete-nos a "um retorno ao pré-tempo, ou seja, ao mito"  - destacam as autoras do raulbopp.blogspot.com. O autor, que em seu mergulho de re-descobrimento do Brasil viajou por todo o País, foi fortemente impactado pela floresta, densa e misteriosa, que representaria o "'Brasil cultural subjacente' a um 'Brasil cultural aparente'" (raulbopp.blogspot, 2006) com o qual o modernismo viria romper. E Bopp o faz, segundo Murilo Mendes, forjando "um léxico saboroso" que funde "sabiamente vozes indígenas e africanas" (Mendes, 1973), que subverte com simplicidade a lógica sintática do português 'culto'. Suas aventuras e pesquisas, financiou-as com o próprio trabalho, tendo exercido funções diversas como caixeiro de livraria e pintor de paredes. Talvez por isso, Sérgio Buarque de Holanda afirme que o poeta e sua poesia sejam inseparáveis, já que "formam uma harmonia tão inteira e acabada que dividir um do outro é correr o risco de mutilá-los" (Holanda, 1978).

domingo, 6 de março de 2011

FRENTE PIONEIRA

"A Forest Clearing" (1900) CC  The Powerhouse Museum
Vou derrubar a floresta
E formar uma fazenda
Hoje só tenho uma tenda
E um trator que não presta

Vou à luta, vou à guerra
Armado de moto-serra
E com o suor da testa
Vou derrubar a floresta

Quero devastar a casa
Sombria de tantos bichos
Vou limpar todo esse lixo
Com furor de quem arraza.

Quero desmatar depressa
Bem antes que a chuva venha
Vou reduzir tudo à lenha
E semear fogo à beça

Nas cinzas vou plantar soja
Para ter muito dinheiro
E comprar o mundo inteiro
Que está dentro das lojas

Vim duro para Rondônia
Vou derrubar a floresta
Isalubre que impesta
A nossa bela Amazônia!
(de Pedro Paulo Lomba)

Este poema, do cientista ambiental Pedro Paulo Lomba, era um dos destaques no repertório do Teatro Florestal do Rio de Janeiro. Foi escrito quando o autor era parceiro do arquiteto José Zanine Caldas, na Fundação DAM (Desenvolvimento e Aplicação das Madeiras do Brasil); e criador do Programa Memorial Rondon. Com humor sarcástico, Lomba discreve em seu poema a face mais popular e  progressista de um conflito que ele denominava "Guerra da Clorofila". Atualmente conhecida como "Arco do Destamatamento", esta guerra consiste na disputa mortal por um maior lugar ao sol, entre as florestas nativas (cerrados e pantanais inclusive) e as mono-culturas de exportação (pecuária extensiva inclusive). Tais mono-culturas são um modelo econômico que está em alta desde que se encerrou, pelo esgotamento dos recursos naturais, o ciclo econômico extrativista que justificou a ocupação, a defesa territorial e, por fim, o nascimento do nosso pa-tro-pi. País ironicamente batizado com o nome da árvore que, ao lhe dar à luz, tornou-se uma espécie rara, no mesmo cenário em que fora, outrora, abundante.

A cultura hegemônica daquela colônia de exploração que um dia originou o Brasil, formatou o olhar e o comportamento do brasileiro em relação à natureza tropical. Brasileiro era, aliás, o nome do primeiro agente econômico nacional - o cara que pilhava desenfreadamente o Pau-Brasil, até sua quase extinção e, que, como os tenebrosos bandeirantes, tornou-se herói moral e cívico. Esse brasileiro ancestral via o meio natural, por um lado, como um obstáculo a ser vencido e, por outro como uma incansável vaca leiteira, cujas tetas fartas lhe permitem permanecer "deitado eternamente em berço explêndido", recebendo sempre, como um bebê faminto, sem dar em troca nenhum carinho, nenhum cuidado e nenhum reconhecimento. Parece que esse desamor crônico pela natureza tropical permeia tudo que fazemos e, ainda hoje, nos impede de planejar cidades, hidro-elétricas e agro-negócios direcionados para um futuro de paz humano-ambiental.

Por oferecer-nos esse retrato íntimo do psiquismo do desmatador, "Frente Pioneira" é um dos meus poemas florestais favoritos.  Preciso perceber e recriar conflitos pra gerar dramatrugias. E, como ambientalista, devo compreender o que vai na alma de meu antagonista para, um dia (quem sabe?), tocar seu coração.

sábado, 1 de janeiro de 2011

CHARLES DARWIN - Viajens Nas Florestas do Brasil

Estrada das Paineira, RIO 2010, por Cláudia Zur

“À tarde choveu muito, e senti bastante frio embora o termômetro marcasse 18°C. Logo que parou de chover, foi curioso observar a extraordinária evaporação que se começou a processar em toda a extensão da floresta. A uma altura de 30 metros, as colinas desapareciam em densa neblina branca”(1)

“Durante todo o resto de minha permanência no Rio, residi numa quinta na Baía de Botafogo. (...) A casa em que me achava hospedado estava situada bem debaixo da conhecida montanha do Corcovado. Muitas vezes me entretinha a olhar as nuvens que, rolando sobre o mar, vinham formar um manto logo abaixo do ponto mais elevado do Corcovado. (...) fiz excursões muito agradáveis pelas vizinhanças. Visitei, um dia, o Jardim Botânico, onde cresciam plantas muito conhecidas” (2)

“Em outra ocasião, tendo partido cedo, andei até a montanha da Gávea. O ar estava deliciosamente fresco e fragrante, e as gostas de orvalho brilhavam ainda sobre as grandes liláceas que cobriam de sua sombra a água clara dos riachos. Sentei-me sobre um bloco de granito e desfrutei alguns instantes vendo passar a voar perto de mim um sem número de insetos e pássaros. Os colibris parecem gostar imensamente desses recantos sombrios e solitários.”(2)

“Seguindo uma picada, penetrei no interior de uma nobre floresta e, de uma altura de 150 a 200 metros, pude contemplar um dos soberbos panoramas tão comuns ao redor de todo o Rio. Vista dessa altura a paisagem atinge o máximo de brilho em seu colorido; e todas as formas e sombras ultrapassam de tal modo tudo quanto um europeu possa jamais ter visto em sua terra natal, que não sabe como há de expressar as emoções em seu espírito. O efeito geral sempre me trazia à mente o cenário das óperas nos grandes teatros.”(2)

“O concerto mais paradoxal de som e silêncio reina à sombra dos bosques. Tão intenso é o zumbido dos insetos que pode perfeitamente ser ouvido de um navio ancorado a centenas de metros da praia. Apesar disso, no recesso íntimo das matas, a criatura sente-se tomada por um silêncio universal. Para o amante da história natural, um dia como este traz consigo uma sensação de que jamais se poderá, outra vez, experimentar tão grande prazer.”(3)

“O dia passou-se deliciosamente. Mas delícia é termo insuficiente para exprimir as emoções sentidas por um naturalista que, pela primeira vez, se viu a sós com a natureza, no seio de uma floresta brasileira.” (3)

  1. Cabo Frio, 19-04-1832
  2. Rio, de 23-04 a 05-07-1832
  3. Salvador, 29-02-1832

VIAGEM DE UM NATURALISTA ATRAVÉS DO MUNDO, Volume I
de Charles Darwin, tradução de J. Carvalho, ed SEDEGRA, Rio, 19??
pgs 46 a 53

domingo, 19 de dezembro de 2010

CAMINHO DO MATO - Florestas na Poesia de Agostinho Neto

TEATRO FLORESTAL DO RIO DE JANEIRO Pq Lage 1988 by Márcio RM
Neto confere à floresta a doçura e o aconchego do "lar". É este caminho do mato que a "gente cansada" segue para repousar, fugir das humilhações da escravidão, e amar... O caminho que o Chefe de um clã ou povoado (Soba) segue para unir-se à Lemba (moça ou divindade feminina), sobre um leito de "flores do amor". No Teatro Florestal do Rio de Janeiro, sempre que eu recitava poesias de Agostinho Neto, podia transmitir ao público a força das culturas florestais de raiz bantu, e sua óbvia influência em nosso Afro-Brasil.

Caminho do Mato
Caminho do mato
Caminho da gente
Gente cansada
Óóó - oh

Caminho do mato
Caminho do Soba
Soba grande
Óóó-oh

Caminho do mato
Caminho de Lemba
Lemba formosa
Óóó-oh

Caminho do mato
Caminho do amor
Do amor do Soba
Óóó-oh

Caminho do mato
Caminho do amor
Do amor de Lemba
Óóó-oh

Caminho do mato
Caminho das flores
Flores do amor...

AGOSTINHO NETO
Poeta, Libertador e 1º Presidente 
da República Popular de Angola
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